segunda-feira, 16 de junho de 2014

Por novos amanheceres...

Eu fui criado num lugar cuja paisagem natural de oferece espetáculos quase diários... Todo dia de manhã e à tarde o céu dá um show de cores fortes e vibrantes. O azul celeste se misturando com o laranja e o violeta é mesmo incrível. E o que não me chamava a atenção até trocar de país é que as cores são bem marcadas, não tem degradée nem muita diferença entre os tons. Mas tudo isso passa despercebido quando se está dentro de um ônibus lotado, num engarrafamento da Av. Brasil ou tantas outras nesse país.

Quando você muda de cidade, a gente começa a ver tudo diferente... Mais ainda quando se muda de país, de latitude. Eu sempre fui apaixonado pelos céus e tudo o que acontece lá em cima, até quis ser astrônomo quando era criança e via o Carl Sagan falar sobre as estrelas, mas minha aptidão para a matemática e a física nunca foi grande... Mesmo assim nunca me cansei de observar o céu. Sabe aquele menino que vivia no mundo da lua, andando pela rua de noite olhando pra cima...? Então, era eu. E depois de grande percebi que pouquíssima gente repara que nenhum atardecer ou amanhecer é igual ao outro.

Isso sempre me fez pensar... que nenhum momento é realmente igual ao outro. Há uma vasta lista de pensadores, escritores e filósofos que falam sobre isso, essa inconstância na qual a gente vive e como deveríamos aproveitar isso e fazer valer os momentos de nossa curta vida.

Agora eu vivo em Buenos Aires, muito porque eu tento viver isso de verdade. Tive várias pessoas na minha vida que me ensinaram a não desperdiçar esses preciosos momentos. E mesmo que eu tenha saudade de casa, mesmo que sinta (uma imensa) falta das conversas de bar com meus amigos e amigas, e às vezes me entristeça por isso, penso que estou aqui por minha vontade, foi o meu desejo que me trouxe até aqui e que estando aqui devo apreciar as belezas do meu novo lugar. E uma coisa que se destaca aqui é a cor das nuvens quando amanhece e anoitece. Lhes confesso: isso é esplêndido também!

Enquanto no Rio as cores são marcadas, aqui o que domina é o degradée... os matizes de laranja, salmão e talvez baunilha (já começo a viajar aqui rsrs) às vezes parece um quadro impressionista em tons pastéis. Essas cores que nunca foram reais pra mim, e que eu aprendi a diferenciar por estar onde eu estou, agora fazem parte do meu cotidiano; e talvez por ser de fora dê mais atenção do que aquele que sempre morou aqui. E mesmo no inverno, quando faz frio e amanhece mais tarde, tudo ganha um tom mais violeta e roxo, rosa, e vai passando pro azul bem devagarinho. O que me deixa meio mal é que quase ninguém se dá conta disso aqui também. Talvez por isso escrevi esse poema pra compartilhar com vocês essa minha admiração por esses espetáculos da natureza sempre à nossa disposição em qualquer lugar do mundo...

O pacto

Hoje quando as portas da noite
desse inverno portenho
lentamente se abriram
e a luz do sol adentrou o dia
tão timida e doce...

Confesso que meu coração
se amaciou com tamanha humildade

E perguntei à Alvorada
como pode a luz do Sol
sentir vergonha...

Ela me respondeu
com sua face avermelhada..
que tanto faz ela brilhar através da bruma do inverno
ou resplandecer os dias de primavera...
Me disse que ninguém notava

Que os poetas não lhe escreviam mais versos
que antes era mais querida,
mais desejada, mais amada
que o mundo não deseja mais a beleza da aurora

Pensei... de fato.
Algo precisava ser feito
e lhe propus um pacto.
eue ela ia continuar brilhando como sempre

E que eu, humildemente
serei seu poeta
e mesmo à custa do meu sangue, desta alma minha
ia fazer de tudo
para que o mundo notasse sua beleza

Ela prometeu fazer a sua parte...
Só espero poder
fazer a minha.

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